Este dossiê propõe reunir contribuições que explorem a decolonialidade

como um horizonte crítico capaz de questionar e transformar os marcos epistêmicos, transdisciplinares e políticos herdados da colonialidade do poder e suas significações, tendo a semiótica como ferramenta teórico-metodológica. Mais do que uma ampliação de enfoques, a decolonialidade é apresentada aqui como uma prática que desestabiliza o dominante e abre espaço para diálogos horizontais entre múltiplas formas de conhecimentos, experiências e produções intelectuais. Diante da persistência de estruturas que privilegiam modelos eurocêntricos de análise, classificação e validação dos saberes, buscamos destacar alternativas que emergem de conhecimentos situados, coletivos, participativos e historicamente invisibilizados.

O objetivo deste dossiê é examinar como a colonialidade se reproduz em âmbitos contemporâneos, considerando a ciência de dados e os algoritmos, os estudos sociais e humanísticos, as metodologias acadêmicas, as práticas laborais, as formas de dominação e a nova ordem política, bem como enfoques mais específicos. Isso implica, por exemplo, reconhecer como essas dinâmicas afetam de maneira diferenciada grupos historicamente marginalizados — comunidades indígenas, coletivos racializados, estudos de gênero, trabalhadores precarizados, migrantes e setores empobrecidos —, não como objetos de estudo isolados, mas como posições que tornam especialmente visíveis as assimetrias epistêmicas, políticas e laborais ainda vigentes, assim como as assimetrias semióticas, entendidas estas como desigualdades na capacidade de produzir, circular, impor, interpretar e legitimar signos, significados e regimes de sentido.

De: freepik.es

A fim de guiar as contribuições, propomos — sem limitar as possíveis abordagens — considerar as seguintes questões: Como os conhecimentos são produzidos, legitimados e circulam em diferentes campos disciplinares, e quais atores — humanos e não humanos — são reconhecidos ou silenciados nesses processos? Quais estruturas de poder, explícitas ou implícitas, influenciam quem tem autoridade para definir o que conta como conhecimento válido? De que maneiras as práticas de pesquisa, criação, design ou análise podem reproduzir desigualdades coloniais sem nomeá-las? Que formas alternativas de produzir conhecimentos emergem de experiências situadas, coletivas ou historicamente marginalizadas, e como podem dialogar em condições de igualdade com os marcos hegemônicos? Como as metodologias — científicas, técnicas, artísticas ou humanísticas — podem se transformar para evitar dinâmicas extrativistas e fomentar relações baseadas na reciprocidade, no cuidado e na responsabilidade? Que modelos éticos, comunitários ou pluriversais podem orientar a governança de dados, narrativas, materiais ou recursos utilizados em processos de pesquisa ou produção? Quais implicações tem reconhecer que todo conhecimento é situado, e como isso modifica as práticas de validação, avaliação e autoria em diferentes disciplinas? Como a tecnologia digital influencia os saberes e conhecimentos decoloniais?

Buscamos, portanto, reunir textos transdisciplinares que tenham como eixo central aspectos que examinem essas diversas manifestações da decolonialidade, tanto em suas dimensões interpretativas quanto em experiências concretas de pesquisa, design, gestão de dados e organização comunitária. A intenção é contribuir para um campo intelectual que não apenas critique a hegemonia epistêmica, mas que também avance em direção a formas de justiça epistêmica capazes de imaginar e colocar em prática modos alternativos de (re)gerar conhecimentos, abrindo um pluriverso de saberes em diálogo.

Para a submissão dos textos, convidamos as pessoas colaboradoras a enviar um ensaio reflexivo de 5 a 7 páginas, redigido de acordo com as Normas APA, 7ª edição. Os ensaios poderão ser escritos tanto em espanhol quanto em português. Cada contribuição deverá incluir um título e uma breve biografia do autor ou da autora (máx. 5 linhas), indicando seus principais interesses, afiliação institucional e trajetória pertinente. O prazo para envio dos ensaios é 30 de março de 2026, para os seguintes endereços: elsignoinvisible@gmail.com e jimena.biga86@outlook.com

As propostas serão avaliadas de acordo com a clareza conceitual, o aporte crítico e a sintonia com os objetivos deste dossiê.

Coordenação

Doutoranda Jimena Bigá

Universidade de Helsinque

https://orcid.org/0009-0001-7086-3253